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Retalhos de Impressões
 

O Jogo do Anel

 

Estavam ali os dois.

Frente a frente.

Poderiam ter evitado. Talvez até tivessem cogitado evitar.

Tudo foi muito claro: ele colocou nas mãos dela.

Esperou, segurando com as suas mãos as mãos dela, até que ela não mais relutasse e pudesse soltar assim pelo medo no momento inicial de uma verdade.

Era algo que ele queria entregar-lhe. Algo que guardara para entregar-lhe um dia se houvesse esse dia, dia que esperava que houvesse.

Ela relutou, mas havia também uma vontade lutando.

Quando ela fazia o movimento contrário ele também receava. Aquilo lhe estranhava como se seu não fosse.

No entanto ambos sabiam as regras.

Era o jogo do anel.

O brincar, porém...

A modelagem que faziam as formas que criavam juntos, a fusão dos corpos já sendo uma só pele, uma só vida com a vida inteira. E quanto mais próximos se concebiam, mas o medo de passar o anel aumentava.

E eles se afastaram e de longe o sol poente estendia seus raios sobre as calçadas e automóveis

Esculturas vibráteis eles se faziam. Temperaturas, vapores e olores, tudo surgido naquele encontro. Experimentações cada vez maiores. Territórios ainda não explorados, ali, à mostra, em sua raridade e ineditismo.

Viver parecia ser só por aqueles instantes.

Mas tal fundição de essências causava o abismo a cada nova separação.

Voltar para o cenário comum não fazia mais sentido.

Fundidos se fragmentavam.

Descobriram que a dor da alegria é mais aguda que a da tristeza. Mais insuportável.

E nenhum deles chorou e nenhum deles ensaiou um gesto cálido de adeus.

E eles não fizeram juras.

E quem sabe, não era este o momento derradeiro?

E quem sabe o que governa

A emoção dos homens?

E quem se julga capaz de resistir

A um apelo?

 

 

Vitória Maria Barbosa

 

(algumas frases foram capturadas do último post de Renan, o link está ai ao lado)



Escrito por Vitória Maria Barbosa às 11h45
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Vagando

 

 

Essa calma em mim

 

Desfila dentro de um ar de flores

 

Atravesso-o

 

Espinhos me rasgam

 

A dor não me sangra

 

O perfume me entorpece

 

As cores me iludem de realidade

 

E não é somente o verde que me enche de esperanças

 

Esperanças de poucas esperas

 

Há fertilidade bem no solo dos meus pés

 

Abro os braços como se fossem troncos da árvore eu

 

E nos dois furos do meu nariz exalo a vida

 

Expiro a vida

 

Mastigo as pétalas

 

Escuto o som delas entre os meus dentes(adoro este som)

 

E dissipo tudo que ainda não se foi...

 

 

 Vitória Maria Barbosa

 

 

 



Escrito por Vitória Maria Barbosa às 12h47
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"É curioso como não sei dizer quem sou. Quer dizer, sei-o bem, mas não posso dizer. Sobretudo tenho

medo de dizer porque no momento em que tento falar não só não exprimo o que sinto como o que sinto se

 transforma lentamente no que eu digo."

 

Clarice Lispector



Escrito por Vitória Maria Barbosa às 12h49
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(*me senti bem adolescente fazendo isto (rs) ficou péssimo???)*

34 anos.
Fiz 34 anos.
Eu os fiz sim. Foram anos construídos. Usei muito sal de lágrimas. Sal de sangue. Sal de suor. Usar tanto esses elementos me fez descobrir a alquimia de minha força. São trinta e quatro seres superpostos: bebê, menina, mulher e mais toda uma pluralidade que formou estes seres.
Esta que escreve hoje sobre sua história, vê na memória uma tempestade de imagens: uma menina tímida com as mãos suadas, uma menina acuada sem dormir para não fazer xixi na cama, uma jovem cheia de sonhos românticos, a mesma jovem num embate pela/contra vida, ela ainda plena/vida, grávida... São tantas, tantas imagens, tantas condições...
É preciso pausar o filme da memória.
A garganta dói. Lágrimas saem. Mais sal. A alma arde... Nenhum sopro trará alívio.
É preciso deixar arder.
Será que o ingênuo, o morno, o lúdico, o puro se perderam? Sim, porque sinto nesse arder um travo de despedida...
Não. Não estão perdidos. Há algo bem iluminado. Essa luz me move.
Meus trinta e quatro e milhões de seres estão em festa. Por ela: a vida.
A vida nua.
A vida crua.

* feliz por todos os carinhos que recebi para comemorar minha existência!!!

 

Vitória Maria Barbosa



Escrito por Vitória Maria Barbosa às 14h27
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Grande amor!

* presente de aniversário By Ezy Cayana (http://ecayana.zip.net)

Vitória és uma mulher muito especial para mim.

Você vê como é a vida! Nos conhecemos por meio de Waleska, no ano 2000, quando do Universidade Solidária.

Naquele período desenvolví com Wal profunda identificação, fomos amigos e irmãos. Estavámos juntos pela mesma causa e foi um período marcante para nossa vida toda.

Até que você chegou e Waleska disse que tu gostavas de mim. E, ainda, que tu não eras do tipo de permitir se conquistar assim.

Durante esse período, você me deu as primeiras orientações e alguns livros para o meu projeto de Pibic, lembras???

Nascia alí uma grande amiga! E, eu não estava vendo isso...Naquele momento!!!

O projeto foi aprovado e veio a celebração. Lembro que você vibrou.
Nossos encontros foram todos tão bons. Recordo da sua defesa de dissertação; depois veio tua viagem para o Maranhão. Lembras quando você voltou eu fui te buscar no aeroporto?

Viví teus dramas e tu viveste os meus.

Veio a formatura de Waleska, a ida dela para Brasília!

Veio minha formatura e o início da minha viagem que ainda hoje continua. E, tu sempre do meu lado.

O período em que estive em Porto Alegre, acho que foi a nossa maior pausa!

No nosso reencontro veio tudo de novo. E, você estava com Waleska. Nosso elo!

Lembra do nosso almoço no Bar do Cuscuz?

Foi esse ano, no comecinho! Ano de tantas transformações para nós!!!

Viví a tua aprovação do doutorado!
Teu lindo trabalho no CAPS!

Conhecí teu blog! embora, eu resistisse!

Tu viveste em primeira mão a minha aprovação na UEPB.

Compartilhamos algumas desilusões amorosas e nos divertimos muito.

Vieram as aulas de dança, àquela ida louca nossa a João Pessoa com Cassandra Vèras. Eu amei!

Minha amiga, nada é em vão.

Lutei muito para conseguir entrar no UNISOL, e sem dúvida, essa aprovação/provação, foi  também para nos aproximar, numa relação ETERNA.

Amo tua amizade e continuamos na luta! Eu Te Amo e estou aqui de braços abertos para te receber sempre.

Choro, enquanto escrevo. Por que o faço de coração!

Esse é o meu presente para ti. O meu amor amigo!

Ezymar Gomes Cayana

 

* eu amo este homem!



Escrito por Vitória Maria Barbosa às 02h08
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Presente de Aniversário (by Patty)

   créditos: http://ubbibr.fotolog.com/zientzu

 

Seu nome: VITÓRIA.
Precisa dizer mais alguma coisa?
Precisa explicar o sentido de uma marca como essa?
Tive a sorte de ter feito A escolha certa.
Uma escolha que me levou a vitória-condição - À Vitória pessoa.
No princípio ela foi brisa leve.
Chegou na minha vida de mansinho.
Falando baixinho quase como que um segredo de um futuro explêndido.
Não houve ilusões de estrada fácil.
Mas houve poesia....sempre muitas poesias que acalentavam a alma.
E houve risos. E confissões. Muitas confissões...risos.
Hoje, talvez, ela conheça mais do meu coração do que muitos.
Ela consegue ler até aquilo que está ausente na minha palavra.
E da nossa linguagem só nós entendemos certo?
Uma visionária sem medidas.
Mulher que não se cala.
Que se abala, mas continua pulsando.
não desiste.
Só tenho a agradecer por esse encontro.
Encontro para além, muito para além dos limites institucionais de uma disciplina.de uma universidade.
Encontro humano que gerou MUITAS DOBRAS (E SALVE Deleuze.risos.)
Hoje exibo essa foto com muito orgulho.
Orgulho de uma amiga que conquistei.com quem aprendi muita coisa.
Uma amiga de quem pretendo não me distanciar.
Uma amiga que torço por toda a eternidade.
Uma amiga que completa anos hoje e que merece TODAS AS FELICIDADES.
Alguem que vibra com o caju que nasceu.risos...
ou com os pássarinhos que estão fazendo amor.muitos risos...
Vi do meu coração.
PARABENS!!!!!!!!!!!!!!!!!!(grito louco e ensurdecedor! risos...)
Essa foi apenas uma parte do meu presente.O resto vem depois...
Um xeru minha paraibana preferida!
Pat

 

*esta menina linda me emociona sempre!!



Escrito por Vitória Maria Barbosa às 20h52
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O ano está acabando.

 

Sinto o cheiro, sinto sensações... é assim todos os anos finais de.

 

Sinto um sentimento cheio, inflado...

 

Algo grande. Parece querer explodir: quero rir, quero chorar e não cabe. Parece não querer caber.

 

Inflado de quê?

 

De tudo. Mas há algo que dói. Uma dor alegre.

 

Dá pra entender? Penso que é algo divino.

 

Sinto isso com a morte. Sempre senti algo maior na morte, maior que a dor...

 

Macabro dizer que sinto uma espécie de alegria com a morte? Não. Não é.

 

Por isso chamo de divino. Sem religiosidade. Divino na grandeza.

 

Esse maior é simplesmente a vida.

 

Isso é o que sinto no final do ano. Simbolicamente o final de muitas coisas.

 

E realmente o início de outras muitas: a vida.

 

Sinto em outros momentos também.

 

É o infinito do que se arrasta em nós, de tudo que não passa...

 

 

Vitória Maria Barbosa



Escrito por Vitória Maria Barbosa às 00h11
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A Dança do amor

 

O amor dança.

Dança em movimentos.

Dança quando para.

O amor não para.

 

***

 

Depois do amor

A dança do amor

 

***

 

O amor dança.

 

***

 

O amor não para.

 

 

Vitória Maria Barbosa

 

 



Escrito por Vitória Maria Barbosa às 23h40
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Atrás da sua alegria , só não vai quem já morreu!!!

Quero ver você rodando a saia

Caindo na gandaia

Sendo porta bandeira da sua alegria

Quero ver você

Festando

Batucando

Catucando

Pandeirando

Quero ver você

Desfilar sem fantasia

Dançar no vento

Sem pensar no tempo

Quero ver você

Se banhar na arruda

No manjericão

Sem medo de assombração

Quero ver você

Nesse desfile

Nessa festa

Rodando

Rindo

Batucando

O batuque do coração

E todo mundo atrás

E quem não quer alegria?

Dessas que contagia?

Dessas que vem de você?

 

 

Vitória Maria Barbosa

 



Escrito por Vitória Maria Barbosa às 11h23
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Eu: Beija-Flor I

 

Eu.

 

Duas letras.

 

Imensidão acolhem.

 

Duas letras e um hiato.

 

Todas as flores néctar

 

Parar no vôo

 

Voar para trás

 

Somente eu

 

Muitas batidas por segundo

 

Hummingbird

 

Iridescente

 

Desafio gaviões: a árvore é minha

 

Endotérmica

 

Duas mil flores por dia

 

Polinizadora.

 

Quebro e absorvo açúcar

 

Hiberno para acordar

 

Eu.

 

 Vitória Maria Barbosa



Escrito por Vitória Maria Barbosa às 11h19
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Eu: Beija-Flor (II)

 

Estou aqui.

Não exatamente a mesma.

Estou aqui; a mesma. Mesma que sempre está.

E se não fico é que não posso.

Estou.

Não é um mero jogo de palavras.

É uma essência.

Já falei dela, é de beija-flor.

O vôo parado.

A busca pelo néctar.

Tantas flores...

Falei da rapidez, não é efêmera, é intensa.

Tão pequenino pássaro...

Tão belo.

Não se pode prendê-lo.

Não serve para ornamentar.

Quer apenas brilhar.

O brilho discreto.

Veja: só

Não toque

Não queira

Não queira outra natureza:

É a mesma

É de beija-flor.

Estou aqui

Não exatamente a mesma.

Mas a mesma que sempre está.

Quero apenas brilhar.

O brilho discreto.

 

 

 

Vitória Maria Barbosa

 



Escrito por Vitória Maria Barbosa às 10h52
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O EXÉRCITO DO HOMEM SÓ (Inspirado em Renan)

Créditos: Vitor Dias (borboleta sobre plumas)

Amanhã é segunda. Daqui a pouco é natal...

Vivi dias tão intensos ultimamente. Sobretudo intensos em alegria e prazer. As outras coisas menos felizes também me chegaram. E é sempre aquilo de ir alargando a alma mais e mais. Para viver, para sentir, para tratar daquilo que chega como entulho pra tirar a paz, para apagar sorrisos. Chega o cansaço também, e a sensação/ordem de que não há tanto tempo assim. É preciso limpar a alma, é preciso respirar, fazer bater o coração com as artérias livres.

Lamentar a ignorância de nossa espécie, reverenciar sua grandeza. Lutar, lutar com todas as armas, com o corpo com os dentes, lutar para não se contaminar com o gás carbônico, com as toxinas, com tudo aquilo que também nos compõe.

Amanhã é segunda e estou lutando. Para que acorde com a força. A força para ter fé.

Para que tudo de belo esteja e seja maior.

 

“Um homem só pode muito. Porque é dele o exército de sua vontade.”(Renan Barbosa)

 

Vitória Maria Barbosa



Escrito por Vitória Maria Barbosa às 00h51
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...

 

 

 

Desvios.

 

Quedas.

 

E a fonte vira o oposto.

 

Porque saciada preciso sentir sede.

 

Nunca a superfície

 

Nunca o raso

 

Nunca o pouco

 

Pouco pouso

 

Quero sempre o sempre

 

Nunca o mesmo sempre

 

E no seu giro

 

Não me procure

 

Já fui

 

É que não sei esperar

 

Quando tudo é tão devagar...

 

 

Vitória Maria Barbosa



Escrito por Vitória Maria Barbosa às 15h24
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Minhas Linhas

 

Ando sim brincando com as linhas.

As linhas de minhas mãos.

Sem ser cigana aprendi.

Elas saltam;

Dançam;

Movimentam-se.

Serpentinas

Findam-se

Encravam-se dentro de minha carne

E saltam

E as vejo

E as manejo

São letras

São símbolos

São teias

As linhas estão em minhas mãos

Mas minhas mãos não estão nestas linhas.

 

 

Vitória Maria Barbosa

 

 



Escrito por Vitória Maria Barbosa às 15h06
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Encontro do amor com o Amor

 

Foi uma tarde, uma noite, uma madrugada e um amanhecer.

Foi uma vida.

Ansiedade, conversas para atualizar, perguntas para fazer. Muitas vontades juntas.

Vontades de carinhos, de palavras que queriam ser desguardadas.

No entanto, não era o desejo do passado. Era o presente preparado pelo tempo. Longo talvez.

E tudo convergia para não fazer desse tempo um hiato.

As músicas se fizeram tocar como pontes para o que se queria dizer. O tempo da tarde/madrugada/amanhecer arrastou-se com essência de infinito.

E o medo, o temor, eles se dissiparam como se jamais tivessem existido.

É que havia um oceano tranqüilo de amor.

Havia um entendimento sincero prescindido de palavras.

Havia o entendimento que o tempo é infinito, imanente, absoluto e não uma temporalidade de calendário.

É como decifrar um enigma.

É como significar um código.

É um encontro. Com a unicidade de um encontro. Com o que só os encontrados no encontro podem saber. O encanto.

Agora é festa na alma. Festa de vida pura.

Festa de amor.

Encontro do amor com o amor.

 

 

Vitória Maria Barbosa

 

 



Escrito por Vitória Maria Barbosa às 13h35
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